segunda-feira, 12 de maio de 2014

Cine Doroteu - O Espetacular Homem-Aranha 2

O ESPETACULAR HOMEM-ARANHA 2: A AMEAÇA DE ELECTRO * * *
[The Amazing Spider-Man 2, EUA, 2014]
Aventura - 142 min

Todos estão mais à vontade em seus papéis narrativos, do diretor Marc Webb ao elenco, e dispostos a entregar uma sessão eletrizante [trocadilho infame com o subtítulo, eu sei]. Entretanto, a nova série parece mesmo fadada a permanecer à sombra da trilogia anterior realizada por Sam Raimi.

Isso talvez nem se deva tanto em relação à qualidade dos novos filmes, e sim por se apresentarem como um reboot num curtíssimo espaço de tempo. O espectador médio, não fã do personagem e não cinéfilo, certamente fica confuso sem saber direito se são sequências do que já lançado ou mesmo por que contaram de novo a origem do Homem-Aranha apenas dez anos depois de já a terem feito.


A lembrança ainda vívida – afetiva, na maioria dos casos – das produções com Tobey Maguire, Kirsten Dunst e James Franco, sob o comando de Raimi, atrapalha a apreciação dessa nova roupagem da franquia, que tenta pegar um viés diferente, explorando mais os pais de Peter e algumas revelações sobre os poderes adquiridos com a picada da aranha.

Webb, que veio da comédia romântica e dirigiu o primeiro filme dessa segunda leva [entendeu a confusão?], impõe melhor o ritmo e a personalidade da narrativa, inserindo até uma “snorricam” nas sequências em que o herói se balança nas teias. Pode não parecer nada de mais, mas mostra como ele está confiante na posição de diretor de uma grande produção.

Peter Parker continua tentando equilibrar suas duas vidas – sim, continua a ser a melhor coisa de todos os cinco filmes, nem sempre bem explorada –, agora focada na crise com Gwen Stacey e o surgimento do vilão Electro. Sem falar na volta de um amigo de infância chamado Harry Osborn e que também dará sua parcela de trabalho ao aracnídeo. Há outro vilão, Rhino, mas ele só dá as caras em dois momentos.

Na verdade, até que o modo como o roteiro lida com todos esses personagens não é ruim, embora engorde a duração da sessão. O que não deixa de ser ousado, tendo em vista o fraco resultado do último filme da trilogia de Raimi, que também tinha três supervilões se esbarrando o tempo todo.

Na pele do Aranha, Andrew Garfield explora mais o lado frágil do personagem, enquanto Emma Stone enfrenta o arco da Gwen nos quadrinhos, e disso eu gostei muito, mesmo com alterações. O Max Dillon/Electro de Jamie Foxx lembra um pouco o Charada de Jim Carrey em “Batman Eternamente” [1995] no tocante à antissociabilidade, carência e obsessão com o herói. Ainda assim, sai-se melhor do que o Curt Connors/Lagarto do filme anterior. Dane DeHaan seria o ator emergente do elenco, com talento já comprovado em “Poder sem Limites” [2012], e aqui encarna um sombrio Harry Osborne com segurança, mesmo que tenha lhe faltado material para se destacar mais.

Cheio de ação e efeitos visuais muito competentes, o filme passa longe de estar à altura do espetacular do título, porém não nenhuma frustração. A trama é bem desenvolvida, tirando alguns furos ou movimentos pouco inspirados, e nos conduz sem dor per suas quase duas horas e meia. Também não nos exige muito, tudo está mastigadinho, seja pelos diálogos ou pela trilha sonora. É uma superprodução hollywoodiana com algum calor humano escondido nela, geralmente nas cenas entre Peter e a tia May de Sally Field. E isso, sim, faz diferença.​

Nota: * * *

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Péssimo * Desastroso * ½ Fraco * * Assistível * * ½ Sólido * * * Acima da média * * * ½ Ótimo * * * * Quase lá * * * * ½ Excelente * * * * *



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