sábado, 19 de abril de 2014

Cine Doroteu - Capitão América 2: O Soldado Invernal

CAPITÃO AMÉRICA 2: O SOLDADO INVERNAL
[Captain America: The Winter Soldier, EUA, 2014]
Aventura - 136 min

Embalado num thriller político, toca em questões de gerência governamental sem deixar de ser absorvente e divertidíssimo. Por governo, entenda-se a S.H.I.E.L.D., organização chefiada por Nick Fury [Samuel L. Jackson] e que virou uma série de TV meia-boca. Pelo contexto, evoca o governo dos Estados Unidos pós-11 de setembro de 2001. O super-herói feito por Chris Evans, a exemplo de “Os Vingadores” [2012], continua questionando as intenções ocultas da S.H.I.E.L.D., o que leva o próprio Fury a sofrer um atentado.

É nesse clima de conspiração que habita o melhor lado dessa sequência de “Capitão América: O Primeiro Vingador”, dirigido por Joe Johnston em 2011. Ou seria, como disse o ator Anthony Mackie, “Os Vingadores: Parte 1.5”? No Universo Marvel, até quem acompanha cada cena pós-crédito pode ficar confuso vez por outra, ainda mais quando os filmes nunca se fecham em si: há sempre o gancho para o próximo.

Neste caso, só o fato do Capitão América, mesmo lidando com um admirável mundo novo, não se fazer de retardado mental como Tom Hanks em “O Terminal” [2004], já confere ao roteiro de Christopher Marrkus e Stephen McFeely uma inteligência que alivia. E se você não esperar grande coisa, pode até achar essa aventura uma das melhores do ano.

Por que não? O hype do momento sãos as franquias de super-heróis, a eterna disputa [agora saindo da nona para a sétima arte] entre Marvel e DC; por mais que muitos críticos torçam o nariz para esse subgênero que não é mais emergente, não é pecado apreciar uma obra dessas, com um humor lapidado e efeitos visuais entrelaçados organicamente à narrativa.

Além disso, traz referências sedutoras para os verdadeiros cinéfilos, desde “Pulp Fiction – Tempos de Violência” [1994] e “Jogos de Guerra” [1983] a “Matrix” [1999] e “Três Dias de Condor” [1975]. Esta última reforça o caráter contido aqui dos filmes de espionagem dos anos 1970, tanto com a presença de Robert Redford quanto pelo tempo diegético da história, o qual, segundo os roteiristas, explicaria o motivo do resto do time reunido por Fury em outra ocasião não ter sido convocado para ajudar o Capitão.

Quem se importa quando ele está muito bem acompanhado pela Viúva Negra de Scarlett Johansson, que agora tem mais tempo para trabalhar outras facetas de sua personagem? Não posso deixar de comentar o Falcão de Anthony Mackie, que até talvez não seja tão essencial à dramaturgia da coisa, mas sua dinâmica com o protagonista rende bons momentos de alívio cômico.

Os irmãos diretores Anthony e Joe Russo vêm da comédia, explicando, quem sabe, o motivo do filme deixar a desejar em diversas cenas de ação – em casos assim, apela-se para a espertinha “câmera parkinsoniana”, a imagem sacode e ninguém entende direito como o personagem se livrou daquele nó de gravata. Em contrapartida, a dupla prioriza os elementos humanos e não deixa o ritmo tropegar demais em quase duas horas e vinte minutos de projeção.

Sem qualquer pingo de originalidade [alguém esperava por isso?], a produção discute a ética do sistema governamental em relação à liberdade individual dos cidadãos, embora incomode pelo fato do Capitão América ser tão unidimensional, sem falha nenhuma de caráter. É só impressão minha ou o filme antecipa, sem querer, a premissa por trás de “Transcendence”, ficção com Johnny Depp, ao transferir a “consciência” do cientista feito por Toby Jones para o computador? Um visível sintoma do “colapso das ideias”.

No mais, gosto do fato da trama ensaiar um rumo novo a esse universo específico multimidiático; sim, pois a primeira que deve sentir a influência é a série protagonizada pelo renascido das cinzas agente Coulson, embora no cinema ele continue morto, sem ser comentando por ninguém em três filmes consecutivos. É o Universo Marvel se expandindo com tamanha rapidez a ponto de fabricar seus próprios buracos negros. PS: Não preciso mais avisar da rápida aparição de Stan Lee ou das cenas extras durante e depois dos créditos finais, não é? Já fazem parte do selo Marvel.

Monteiro Jr.

Nota: * * * ½
_______
Péssimo * Desastroso * ½ Fraco * * Assistível * * ½ Sólido * * * Acima da média * * * ½ Ótimo * * * * Quase lá * * * * ½ Excelente * * * * *

Seja o primeiro a comentar.

Postar um comentário